segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Entrevista com Pedro F. Toledo - Autor de: MENSAGENS FRANCESAS

Pedro F. Toledo

Engenheiro, nasceu e reside no Rio de Janeiro. Escrever sempre foi uma de suas paixões. Durante os 39 anos de vida profissional, dedicou-se somente à redação de documentos técnicos.
Em 2006 lançou o livro “A Teia do Caracol” e em 2008, “O Efeito Antuérpia”, ambos em parceria com Marcio F. Kneipp.
Posteriormente, em 2013, publicou “Raptando Segredos”, no qual estreou como único escritor. Em 2016, com “O Farol de São Matias”, em 2018 com “O Veneno de Malthus” e em 2020, com “O Reflexo de Perseus”, repetiu a dose. Agora, entrega aos leitores seu sétimo livro.


Mensagens Francesas

Na segunda década do Século XXI, quando André encontrou um bilhete de seu avô, cinquenta anos depois de escrito, não imaginava os impactos que tal descoberta teria em sua vida e de seu filho Gabriel.
Implicaria em uma procura incessante em cidades medievais da Europa, por um objeto muito valioso, do qual sequer tinham noção de seu conteúdo. Porém, confiavam na veracidade das informações que lhes foram transmitidas.
Além das dificuldades e incertezas da busca, outros interessados também aparecem para disputar essa herança, obrigando pai e filho a eleger a opção mais vantajosa entre a confrontação e a negociação. Tratava-se de uma escolha complexa, pois supunham inicialmente que o legado deveria pertencer somente a eles.
Nessas circunstâncias, como identificar os aliados e os antagonistas? Além disso, quem estaria agindo nas sombras, à procura desta mesma preciosidade?

Entrevista

Olá Pedro. É um prazer contar a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
O livro é ficcional. Embora alguns personagens tenham sido inspirados na vida de pessoas reais, estas foram retratadas com nomes e situações alterados, para evitar sua identificação.
A narrativa conduz o leitor em meio a uma viagem turística por nada menos de 26 cidades medievais da Europa, destacando principalmente sua história, arquitetura, gastronomia e enologia. Foi um trabalho de pesquisa bastante trabalhoso, mas altamente compensador.
Este romance difere, por sua natureza, de minhas obras anteriores já publicadas. Neste não há ameaças globais e nem a intervenção direta de sociedades secretas ou semissecretas. Por outro lado, meus leitores habituados a encontrar situações e cenas de enigma e mistério em minhas narrativas anteriores, não deverão se decepcionar com o enredo deste livro.
Não procuro responder explicitamente a estas perguntas que se seguem e que estão formuladas de modo tácito no romance. Espero que o leitor fique atento a elas ao longo do folheio do texto: Qual seria nossa atitude se confrontados por circunstâncias de perigo, ou extemporâneas? Temos absoluta certeza qual seria nossa reação? Qual a melhor opção, confrontar ou negociar? Como reagiríamos se, para realizar nossos planos ou atingir ideais, nos deparássemos com dificuldades de maior monta? Teríamos perfeita e correta noção de nosso apetite? Qual seria nossa resposta perante uma reviravolta em nossas vidas? Até que ponto estaríamos dispostos a pagar os ônus para obter os sonhados benefícios? Da mesma forma, em que parâmetros nos basearíamos, para formar uma opinião sobre o caráter dos que nos cercam?

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia inicial surgiu logo após ter concluído o livro anterior – O Reflexo de Perseus. Por que não escrever um livro como um roteiro turístico, inserindo uma trama paralela em meio às viagens de seus personagens? Neste contexto encaixei alguns protagonistas reais, devidamente camuflados.
A obra se destina a um público jovem e adulto, que aprecia romances leves, porém intrigantes e deseja veracidade e consistência na narrativa.
Por outro lado, como disse o Mark Twain “A realidade é mais estranha que a ficção, mas isto ocorre porque a ficção é obrigada a seguir a probabilidade, ao passo que a realidade não!

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Talvez devido à minha natureza introvertida, escrever ficção sempre foi uma espécie de necessidade. Aos dez anos de idade escrevi um roteiro para uma aventura de um capítulo único na Rádio Nacional, posto que, uma vez ao mês, eles abriam a programação para roteiros enviados pelos ouvintes. Tive a satisfação de ouvi-lo interpretado por rádio-atores consagrados.
Na juventude e início da idade adulta escrevi histórias policiais, que no entanto nunca tentei publicar. Escrevi também uma peça de teatro para um festival de teatro amador. Esta eu tive o prazer de vê-la representada em três oportunidades.
Posteriormente eu me formei em engenharia mecânica e durante as quase quatro décadas de vida profissional, parei de escrever ficção e me dediquei exclusivamente à linguagem precisa das especificações, relatórios técnicos e documentos afins.
Em 2006, em parceria com um amigo, infelizmente falecido em 2018, resgatei minha paixão por escrever histórias de ficção e publicamos “A Teia do Caracol” e dois anos após, “O Efeito Antuérpia” foi também publicado pela dupla.
A partir de 2012/13 passei a escrever como autor único. Publiquei “Raptando Segredos” e não parei mais. Em 2016 entreguei aos leitores “O Farol de São Matias” e em 2018 “O Veneno de Malthus”. Em 2020 “O Reflexo de Perseus” foi publicado pela Scortecci e agora, também com a Scortecci, tive a alegria de ver meu sétimo livro publicado, o “Mensagens Francesas”.
Procuro pautar todos os meus livros, com um lastro de realidade e a exemplo de inúmeros outros autores, gosto de apresentar certos pormenores, que a meu ver contribuem para conferir um caráter realista ao relato. O fato de durante muito tempo ter me dedicado à textos técnicos, se reflete também na narrativa de meus livro ficcionais, tornando-a mais precisa e atrelada a eventos factíveis, fugindo da fantasia.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
A “concorrência” é muito grande! Há no “mercado” escritores de primeira linha, que apenas não se tornaram ainda conhecidos do grande público, por falta de oportunidades.
Conforme já me expressei em uma entrevista anterior, penso que o Brasil é um país com relativamente poucos leitores vorazes. Somente um investimento maciço em educação pública de qualidade, como fizeram, por exemplo, a Coreia do Sul e a Finlândia, poderia transformar esta realidade.
Por outro lado, deve ser levado em consideração o grande movimento que ocorre nas Bienais do Livro. Contudo, posso estar enganado, mas entendo que seja um movimento pontual. Muitos daqueles que comparecem às Bienais, estão ali em decorrência do evento e não são leitores costumazes, que leem, por exemplo, um livro a cada mês.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Há muito “namorava” a Scortecci como editora e já havia inscrito meu nome para receber notícias sobre lançamentos e eventos promovidos. Em 2020 decidi publicar meu sexto livro com a Scortecci e tive uma experiência gratificante. É uma empresa muito séria em todas as etapas da edição. Os profissionais que a integram são muito competentes e gentis no trato com os escritores. Esta seriedade se prolonga na fase de distribuição e comercialização dos livros. No momento em que terminei a preparação de meu sétimo livro, Mensagens Francesas, não hesitei em escolher a Scortecci para publicá-lo.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Creio que os leitores poderão imergir no mundo das cidades medievais europeias. Beberão de sua história e tomarão conhecimento de seu aspecto e arranjo geral, bem como se deliciarão com as atividades desenvolvidas pelos personagens, ao singrar pelas estreitas ruelas e admirar a peculiar arquitetura que lhes é descrita em detalhe.
Não obstante, em meio a um universo com tantos talentosos escritores, creio ser muita pretensão julgar que meu livro, em particular, merece ser lido. Todavia, acredito que minha obra “Mensagens Francesas”, cativará a atenção do leitor e lhe proporcionará uma emocionante “viagem”. Não apenas turística, mas também por outros aspectos da cultura, os quais, quem desejar saber, terá de ler o livro!

Obrigado pela sua participação.
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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Entrevista com Francisco Aparecido Pinto de Godoi - Autor de: Homens do caixão

Francisco Aparecido 
Francisco Aparecido Pinto de Godoi nasceu em 29 de abril de 1985. Desde criança mostrou-se interessado por leitura e por escrever pequenas histórias, mas só aos dezoito anos começou a escrever profissionalmente, em resposta a uma mal produzida novela das sete: escrevia alguns capítulos com determinada resposta, mas nunca conseguiu êxito de produção. Seguindo o interesse em escrever, elaborou Homens do Caixão entre novembro e dezembro de 2003 como peça de teatro, mas, por se tratar de um texto que exigia muito dos atores, nunca foi encenado. Resolveu adaptar o texto para a rapsódia ou romance em 2013, e assim espera ser menos hermético.

Homens do Caixão
Homens do caixão conta a saga de Teodorico, o corrupto prefeito de Socorro, no interior paulista, um homem muito supersticioso. Ele acredita que o município é assombrado por oito homens fantasmas que carregam um caixão no cruzamento das estradas das fazendas de café, à noite. Essa crença leva o município a uma situação de calamidade, a ponto de o governo militar enviar à cidade um oficial, o coronel José Luiz, que é levado a crer na superstição do prefeito, transformando a situação em caso de segurança nacional e os fantasmas em armas, para o Brasil derrotar os norte-americanos e se tornar uma potência mundial. Baseada numa lenda do café, Homens do Caixão critica de forma cômica a ditadura militar que, querendo um Brasil poderoso, mas com os cofres públicos vazios, foi obrigada a investir capital estrangeiro dos Estados Unidos da América e dos fundos financeiros mundiais. Também critica a corrupção política através de um dos protagonistas da história, o Coronel Prefeito Teodorico.

ENTREVISTA

Olá Francisco. É um prazer contar a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
Homens do Caixão trata de uma resposta ao período dos anos de chumbo em forma de sátira, envolvendo uma lenda do café.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia surgiu de uma revolta, na minha adolescência, eu era favorável à ditadura, foi quando entrei em contato com artistas, jornalistas e advogados que viveram nesse período, e me contaram os horrores dessa época. Decepcionado e revoltado com a ditadura pensei em uma resposta que, certamente as vítimas do regime gostariam de dar. A eles minha obra é destinada e a todos que querem dar boas risadas.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Sou portador de esquizofrenia, tenho certo grau de dislexia e, autodidata, sofri muito na escola para poder aprender, por ser teimoso, aprendi. Homens do Caixão é meu primeiro livro publicado, e renascer é o segundo, e pretendo escrever ainda outros, aliás, tenho vários escritos, mas por falta de recursos, talvez demore um certo tempo para publicá-los. 

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Os problemas de ser escritor de livros no Brasil é que a maioria das pessoas, acha que ganhamos milhões de reais nos comparando aos roteiristas de telenovelas, muito pelo contrário, a gente sua para vender nossos livros..

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Um conhecido meu, que na década de 90 foi gerente da Editora Abril, onde se aposentou, e que indica para seus clientes que querem publicar seus trabalhos, a Scortecci.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Meu livro merece ser lido por contar uma boa história, uma crítica à ignorância de um período conturbado da história do Brasil, por ser uma forma de entretenimento e a mensagem que deixo, é que ler é muito bom, você viaja numa dimensão a ser descoberta, tenta entender o que levou o escritor a pensar dessa forma; sempre tem uma mensagem ou várias delas a serem passadas, transmitidas e até mesmo imortaliza-las.. 

Obrigado pela sua participação.


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domingo, 5 de dezembro de 2021

Entrevista com Eduardo Borges - Autor de: Enquanto os Deuses Persistem

Eduardo Borges
Nasceu e vive na Bahia, mas se sente um estrangeiro em qualquer lugar. Expressar-se poeticamente é para ele uma necessidade desde sempre: as metáforas, as não-linearidades e as traições contra a linguagem são parte do seu dia-dia, ao passo que adequar-se ao corriqueiro significa para ele um esforço capaz de lhe provocar dores físicas. Enfim, é mais um filho-problema da vida.
Participou das coletâneas “Inéditos & Dispersos” (2004) e “Navegando entre Ilhas” (EDUFRB, 2021).
Instagram: @eduardoborgesescritosdoborges

Enquanto os Deuses Persistem
Os poemas que compõem Enquanto os Deuses Persistem são palavras de um condenado. Palavras de um condenado a revoltar-se contra o seu caos interno através do verso. Palavras de um condenado à tarefa inglória de colocar a desordem do mundo em estrofes. Palavras de um condenado a recriar-se pelo verbo. Palavras de um condenado à inadequação. Palavras de um condenado a saber que os deuses persistem, julgam, condenam, mas não são capazes de aniquilar a mais bela das transgressões, que é a poesia.



ENTREVISTA

Olá Eduardo. É um prazer contar com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci

Do que trata o seu Livro? 
Os poemas que integram o livro tratam de memórias mal resolvidas da infância, da minha relação mal resolvida com o cotidiano, com as religiões, com os deuses, com as mulheres (as mulheres, confesso, têm peculiaridades existenciais que estão muito acima da minha capacidade de compreensão), com a masculinidade venenosa, com a minha família, com a escola primária, com o fascismo de esquina, com Santo Amaro da Purificação, dentre outras coisas. Ou seja, o livro é, de certa forma, um tratado sobre afetos mal resolvidos escrito por um sujeito mal resolvido que acorda sempre de mau humor e que odeia os dias de domingo. Contudo, devo frisar que, apesar dos pesares, não são poemas escritos com o fígado, e sim com o coração. Modéstia à parte, consegui fazer poemas belíssimos a respeito de sentimentos que me esmagam, que doem com frequência. Sim, sou um poeta de verdade. 
Enfim, o livro trata de muitas coisas que poderiam, a título de facilitação para o leitor adepto de simplificações, ser englobadas num conjunto que eu denominaria de Consciência Dolorosa do Absurdo.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Eu sempre escrevi poemas, porque não sei expressar as minhas dores de outro modo que não aquele que só me é permitido pela linguagem poética. Se há um sentimento, uma memória ou um acontecimento que me provocam dores existenciais, não sei expressar tal situação escrevendo textão no Facebook, tampouco com falação no divã de psicanalista. A linguagem do cotidiano é muito raquítica para mim. Para expressar o que me dói, preciso das não-linearidades que só a poesia proporciona. Não sei exatamente por que, mas eu sou assim, gosto da loucura da metáfora, amo trair a linguagem.
Porém, não tive, durante muito tempo, nenhuma vontade de publicar um livro. Como disse antes, escrever poemas para mim é como uma necessidade, mas eu não sentia a necessidade de reunir os poemas em um livro. Simplesmente eu ia escrevendo os poemas, e os mostrava a uma, duas pessoas no máximo. Entretanto, nos princípios da pandemia, começou a germinar em mim a ideia de publicar um livro de poemas, mostrar a minha arte e a minha suprema vingança contra este mundo hostil para um número maior de pessoas. E a ideia foi ganhando cada vez mais espaço dentro da minha cabeça. Então reuni uns 60 poemas, fiz o livro e aí está ele.
Quanto ao público ao qual se destina a obra, não sei dizer ao certo. O que posso afirmar é que aqueles que assistem ao Bráulio Bessa fazendo auto-ajuda rimada no programa da Fátima Bernardes acreditando que aquilo é poesia certamente não vão gostar do meu livro.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Não sei se voltarei a publicar um livro. Há dias em que penso que sim, e há outros em que rejeito a possibilidade. Estou sempre escrevendo, sobretudo poemas. Mas há algumas coisas que tenho escrito em prosa e enxergo nelas, às vezes, a possibilidade de criação de uma novela ou romance. Simplesmente não sei dizer se Enquanto os deuses persistem é o primeiro livro de muitos. Quanto à árvore, nunca plantei uma nem tenho vontade.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Eu acho que é uma loucura escrever livros no Brasil. Em se tratando de um livro de poemas, a loucura já é caso de discussão psiquiátrica, talvez. Digo isso pelo fato de um livro de poemas não ser um produto artístico que goza de muito prestígio, mesmo entre pessoas que se dizem leitoras. Quando eu publiquei este livro algumas pessoas chegaram a me dizer “ah, se você tivesse escrito um romance eu leria, mas poesia é complicado pra mim.” Dá um pouco de frustração saber que nem tanta gente assim vai ler o seu livro, por que há o desejo de que as pessoas leiam, comentem...
O fato das pessoas lerem pouco em nosso país é algo que me deixa meio angustiado, por que tal situação só pode gerar uma miríade de gente sem criatividade, sem poder de abstração, sem capacidade de enfrentar questões complexas, e isso, penso eu, é ruim para a coletividade no final das contas, pois tem consequências deletérias em vários campos, inclusive na política. Mas que fique claro que quando eu falo que a leitura é importante, não estou falando de ler qualquer coisa. Afinal, ler Cinquenta tons de cinza ou o livro do Gil do Vigor não vai ajudar muito na empreitada da gente fazer esse país avançar culturalmente.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Eu estava pesquisando editoras que trabalhassem com pequenas tiragens e um grande amigo e poeta, Leandro dos Reis Muniz, que publicou um livro chamado Avulso, pela Scortecci, me falou muito bem da Editora, do cuidado que ela tem com os livros que publica, do bom tratamento fornecido pela equipe. Daí veio o meu conhecimento e a minha escolha.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Não tenho dúvidas de que o meu livro merece ser lido. Nele há poemas muito bonitos, maravilhosos. Enquanto os deuses persistem tem uma densidade poética que não se encontra sempre, pra ser sincero. Falo isso com a paz de quem não é um narcisista fora dos padrões aceitáveis pela civilização (pelo menos é isso que o meu analista diz).
Para os meus leitores, deixo um abraço cheio de bons afetos e peço que leiam o livro, comentem, amem, odeiem, mas não me deem, pelo amor de Deus, o castigo da Indiferença.

Obrigado pela sua participação.

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domingo, 28 de novembro de 2021

Entrevista com Edgley Pereira de Paula - Autor de: Guerra na Imprensa ou Imprensa de Guerra?

É autor de vários artigos e livros sobre os temas “guerra” e “imprensa” e todas as nuances de assuntos que deles são revolvidos, como imaginários coletivos, iconografias, mass media e os usos e abusos da história e da memória social. Na linha de interesse do autor também estão presentes temáticas como patrimônio cultural, semiótica e historiografia, com especial atenção ao século XIX, no mundo Ibero-americano.
Em sua trajetória acadêmica possui Bacharelado e Licenciatura Plena em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Especialização em História Militar Brasileira pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Mestrado em História Política pelo PPGH/UERJ.
Foi professor do Colégio Militar de Brasília e trabalhou por mais de 11 anos na Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx), no Rio de Janeiro, onde atuava em pesquisa de História Militar e assessoramento em políticas públicas aplicadas ao patrimônio cultural de natureza militar, como fortes e fortalezas.
Atualmente faz doutoramento em História Contemporânea na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde investiga os reflexos das notícias da Guerra do Paraguai (1864-1870) na Imprensa portuguesa de época.

A Guerra da Tríplice Aliança ou Guerra do Paraguai (1864 – 1870) foi a primeira na América do Sul a ter forte cobertura jornalística. Guerra de imensas proporções, jamais vista na Bacia do Prata até então, seja no envolvimento militar, através do recrutamento de grande contingente de pessoas, seja através de notícias de milhares de mortes decorrentes de combate e de doenças, de enormes dispêndios de recursos de toda monta, esse acontecimento marcou os diferentes processos de consolidação e afirmação dos projetos de Estado-Nação dos países que se envolveram no conflito. No Brasil, passado o ardor patriótico dos primeiros meses do conflito, houve tanto periódicos que apoiaram o governo como os que o atacavam, ligados a grupos de oposição, dependendo de qual partido estaria conduzindo os rumos da guerra e da rede de clientelismo e favorecimento que o jogo político ditava em lealdades fugazes que envolviam, além dos políticos (da Corte e das províncias), editores, redatores, chefes militares e correspondentes de guerra. Por seu caráter totalizante, a Guerra da tríplice Aliança também se desenvolveu em outros “teatros”, como na imprensa. Os jornais de época repercutiram em suas páginas não só as batalhas travadas como também todo sofrimento, toda contradição e todo entusiasmo nacionalista propagado nos países contendores. Nessa perspectiva, penso que as publicações ilustradas e os jornais que proliferaram depois do início da guerra (1864), divulgadas quase que diariamente na imprensa, causaram forte impacto em toda a sociedade brasileira e, por consequência, nos homens que estavam sendo arregimentados e enviados para lutarem nas campanhas militares na região platina. A guerra foi total! E, vai atingir a produção de periódicos que nesse período, aos poucos, se profissionalizava. Como se deu esse envolvimento? Como se produziram as informações que circulavam em todo o Império e na bacia do Prata? Quem as produziam? A que preço? É o que resolvemos contar...

ENTREVISTA

Olá Edgley. É um prazer contar com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci

Do que trata o seu Livro?
O livro procura “lançar luzes” ao papel desempenhado pela imprensa brasileira durante essa grande guerra que durou mais de 5 anos e que envolveu o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Nesse sentido, procuro explicar como se dava a produção e circulação das notícias do conflito, assim, procurei mapear e expor as “redes de sociabilidades” existentes, à época, que servia de base nessa complexa relação que envolvia além dos donos de jornais, seus correspondentes de guerra, os articulistas (muitos importantes romancistas conhecidos, como o próprio Machado de Assis), além de militares, diplomatas e políticos.
As informações colhidas da frente de batalha eram publicadas nos jornais que seguindo a rede de comunicações da notícia que veio, voltava em sentido oposto, mostrando àqueles homens que guerreavam como estava sendo observada, em sua saudosa pátria, a guerra em que eles participavam. Ou seja, havia grande circulação de jornais inclusive no front! Os próprios soldados brasileiros tinham um impresso feito por eles chamado “A Saudade”...
Outra questão que levanto no livro é o papel desempenhado pelos correspondentes de guerra que foram recrutados para acompanhar a tropa. Logo, é mais um capítulo do grande esforço que o país realizou nesse contexto beligerante. O certo é que independentemente de orientações políticas ou de um suposto caráter oficioso, a proximidade com os combates e os esforços do dia a dia de uma guerra fez com que as abordagens desses homens e as matérias produzidas por eles conseguissem mostrar o drama vivido pelo soldado em campanha. Dessa maneira, creio que este livro traz algumas reflexões originais pois procurei observar a imprensa não só como fonte primária, mas também como objeto de pesquisa, ao articular a História da Guerra do Paraguai com a História da Imprensa.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia surgiu na perspectiva de dar publicidade a minha dissertação de mestrado realizada na UERJ há alguns anos atrás. Claro que para isso procurei dar uma fluidez melhor na narrativa a fim de atingir um público maior, para além de estudantes universitários de História e de Jornalismo.
 
Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Creio que o livro tem duas capacidades essenciais e que me chamam a atenção: a primeira é a noção da perenidade do documento, a segunda, que se articula com a primeira, é a capacidade de comunicar algo que o autor, pretensamente, acha digno de ser compartilhado, divulgado, enfim... Tornar público suas reflexões.
Atualmente, estou envolvido em outro projeto. Um manuscrito meu que trata de uma abordagem sobre a Independência do Brasil (que ano que vem faz 200 anos) acabou de ficar em segundo lugar num concurso promovido pela Editora da Biblioteca do Exército (BIBLIEx) – “Prêmio Pandiá Calógeras”, creio que ano que vem deva ser publicado em livro aproveitando as comemorações do acontecimento histórico.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Creio que tem o que melhorar, o que não deixa de ser uma oportunidade.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Pela Internet.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Acredito na visita ao passado como uma das mais importantes ferramentas para a reflexão do presente. Quando se procura julgar, qualificar (ou desqualificar, como é mais comum nesses nossos tempos de internet), para mim, explicita-se mais as próprias inquietações e convicções atuais do que as ideias, conceitos ou opiniões dos tempos memoráveis. Mas, a história, quanto ciência humana (com suas teorias e métodos ao alcance de todos, oxalá!) está aí, para quem quiser e tiver por gosto em operá-la. Essa é minha pretensão, enriquecer o debate.

Obrigado pela sua participação.

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