segunda-feira, 6 de junho de 2022

Entrevista com Matheus Souza Zanardini - Autor de: ASSIM NASCE O SILÊNCIO

Matheus Souza Zanardini
Nascido em Santa Catarina, em agosto de 2004, filho de professores da área de educação no ensino superior, é estudante concluinte do ensino médio, e escritor de poesia. Participa regularmente das antologias poéticas organizadas pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), e prática ilustrações. Em 2016, iniciou pequenas produções na área de poesia e artes visuais, e, embora sua escrita não esteja diretamente vinculada à uma escola literária específica, suas ilustrações podem ser compreendidas no espectro do surrealismo distópico da arte contemporânea.


É a narrativa de uma jornada introspectiva do protagonista anônimo e da forma com que sua mente transforma palavras em silêncio. A obra acompanha a forma com que este processo isola os instantes provenientes da linguagem artística, enquanto estes ecoam de múltiplas formas no "fazer poético" do protagonista. Este, por sua vez, involuntariamente passa a transformar as relações de sentido das palavras líricas em densas construções mentais, até que estas se esvaziem com o tempo e tornem-se silêncio, revelando o verdadeiro sentido de cada palavra que as construiu. Para tal propósito, o texto conta como palco o arranjo meta-artístico entre a poesia em sonetos, a prosa poética, e ilustrações, repetindo em manifestações artísticas os diálogos estabelecidos pelo pensamento do protagonista.

Entrevista

Olá Matheus. É um prazer contar a sua participação na Revista do Livro da Scortecci

Do que trata o seu Livro?
O livro é um ensaio literário acerca do papel do silêncio na linguagem artística, apresentando a argumentação de que a linguagem humana é feita de palavras, e tais palavras valem tanto quanto o intervalo que as separa. Tal intervalo é o silêncio; o ponto linguístico que culmina na transformação dos instantes em ideias, estabelecendo para cada intervalo vivido um novo ponto de partida para que a linguagem seja estruturada e efetuada novamente.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia surgiu a partir da reflexão de interpretar o que significaria o silêncio, visto que nas nossas vidas jamais poderia haver um momento de suspensão absoluta de ruídos ou de como estes ressoam na mente. Então, deparei-me com a ideia de propor uma nova interpretação ao termo e sua significação, construindo através da literariedade um silêncio que representaria não a ausência de sons, mas sim a transição entre as palavras e os estados que as carregaram. Quanto ao público ao qual a obra se destina, ela não é designada para um público específico, podendo ser direcionada para qualquer pessoa.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Pretendo publicar mais dois livros, ao menos; um dos quais já está finalizado, e outro já está em produção; planejo compor assim uma trilogia onde cada uma das obras representará, respectivamente, o silêncio, o passar do tempo, e a tristeza. Meu próximo livro a ser publicado chama-se Contos Etéreos de Vidas Mundanas, e trata-se de uma composição de contos escritos em prosa poética acerca da dilatação do tempo através da forma com que percebemos o passar dos instantes em nossa compreensão.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
É, sem dúvidas, um cenário triste, visto que o incentivo pela leitura é cada vez mais escasso, e, quando ocorre, tende a valorizar exclusivamente obras estrangeiras.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Conheci a editora através de meu tio, que também é autor de um livro publicado por esta respeitada Editora.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Em valorização de meu trabalho e do processo de produção da obra, eu diria que meu livro vale a pena ser lido, pois considero que este pode apresentar ao menos um leve entretenimento de algumas horas, além de conter uma reflexão não muito comum sobre o grau interpretativo do silêncio, de sua importância, e paradoxal valorização para manter o valor atribuído à relação de sentido das palavras. Aos meus leitores, tenho um agradecimento e um convite a serem feitos: primeiramente, muito obrigado pelo apoio através da leitura de meu livro, e, segundamente, convido-vos a conhecer, futuramente, minha próxima obra: os Contos Etéreos de Vidas Mundanas, que deve ser publicado até o início de 2023.

Obrigado pela sua participação.

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