01 abril, 2026

Fernanda Cangerana - Autora de: A CASA MAL-ASSOMBRADA DE MARLENE

Fernanda Cangerana
É professora, pesquisadora e escritora brasileira. Sua atuação em pesquisa científica começou em 1992, no Instituto Adolfo Lutz, onde iniciou uma trajetória marcada pelo rigor metodológico e pela investigação aplicada, e pelo compromisso com a saúde pública e o meio ambiente.
Com mais de três décadas dedicadas à ciência e ao ensino, construiu sólida carreira acadêmica, atuando como docente no ensino superior e coordenando cursos de graduação. Ao longo desse percurso, consolidou-se como liderança educacional, aliando experiência em gestão, pesquisa e formação de estudantes.
Paralelamente à vida universitária, desenvolveu uma produção literária que dialoga com memória, história e condição humana. Sua escrita transita entre o romance histórico e o drama social, explorando temas como exclusão, heranças invisíveis, espiritualidade e as marcas que atravessam gerações.
Em A casa mal-assombrada de Marlene, apresenta uma narrativa densa e sensorial ambientada entre o Brasil escravocrata e o início do século XX, revelando a intersecção entre sua formação científica — atenta ao detalhe, ao contexto e às estruturas sociais — e sua sensibilidade literária.
Também mantém uma coluna em jornal, onde reflete sobre sociedade, cultura e valores contemporâneos.
Fernanda acredita na literatura como instrumento de memória e consciência.

A casa mal-assombrada de Marlene

Algumas casas guardam memórias. Outras guardam fantasmas. Entre o Brasil escravocrata e o início do século XX, destinos se entrelaçam em uma saga marcada por amor, culpa, preconceito e sobrevivência. Angélica, isolada pela lepra em uma casa construída para escondê-la do mundo. Benedita, nascida livre, mas aprisionada pelas conveniências do poder. Lázaro, ex-escravizado, erudito e idealista, que descobre no amor sua maior força — e sua maior fragilidade. Justiniana, chamada de bruxa, mas forjada na dor e nos segredos das mulheres silenciadas. Quando a doença, o preconceito e as escolhas do passado começam a cobrar seu preço, cada personagem precisará enfrentar seus próprios fantasmas. Porque há heranças que não se deixam enterrar — atravessam gerações, ecoam nas paredes e moldam o destino dos que vêm depois. Com uma narrativa envolvente e sensorial, Fernanda Alves Cangerana Pereira constrói um romance histórico intenso e comovente sobre exclusão, fé, desejo, redenção e as marcas invisíveis que o tempo não apaga. Uma história sobre casas que isolam. E sobre amores que insistem em sobreviver.

ENTREVISTA

Olá Fernanda. É um prazer contar, novamente, com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
A casa mal-assombrada de Marlene trata, em essência, das marcas que o passado deixa em nós. A narrativa usa a imagem de uma casa mal-assombrada como metáfora para memórias, afetos e silêncios que continuam presentes. Mais do que uma história de assombração, é um livro sobre o que nos habita — e sobre aquilo que, de alguma forma, nunca vai embora.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia de A casa mal-assombrada de Marlene surgiu do desejo de trabalhar a noção de ‘assombração’ para além do sentido literal. A casa é um espaço simbólico, onde memórias, afetos e presenças se acumulam ao longo do tempo.
A personagem Marlene foi inspirada em uma figura real — minha tia —, e sua presença na narrativa marca um momento de inflexão, abrindo novas possibilidades de sentido para tudo aquilo que habita a casa.
O livro se destina a leitores que se interessam por narrativas sensíveis e simbólicas, em que o cotidiano se entrelaça com dimensões mais sutis da experiência, e em que memória, afeto e imaginação constroem camadas de leitura.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Minha relação com a escrita é antiga e constante, mesmo não sendo minha atividade principal. A casa mal-assombrada de Marlene é meu terceiro romance, e cada livro marca uma etapa desse percurso, tanto literário quanto pessoal.
Vejo a escrita como um espaço de elaboração e investigação sensível da experiência humana, e sigo desenvolvendo novos projetos dentro desse universo, ainda que conciliando com outras dimensões da minha vida profissional.

O que te inspira escrever?
Sou movida, sobretudo, pelas ideias — elas surgem com muita intensidade, quase como narrativas já estruturadas. Quando começo a escrever, geralmente já tenho claro o percurso e o desfecho da história, o que me permite desenvolver o texto com mais organicidade.
A casa mal-assombrada de Marlene nasceu assim, e esse também tem sido o processo dos meus outros projetos. Tenho diferentes obras em desenvolvimento, entre romances e contos, que ainda estão em fase de elaboração.
O maior desafio não é a falta de ideias, mas o tempo para desenvolvê-las, já que concilio a escrita com minha atuação profissional. Ainda assim, a literatura permanece como um espaço constante de criação e expressão.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Acredito que A casa mal-assombrada de Marlene pode tocar o leitor justamente pela forma como trabalha emoções e memórias de maneira sensível. É um livro que não busca apenas contar uma história, mas provocar uma experiência — algo que ressoa de forma íntima em quem lê.
Antes da publicação, o livro foi lido por um pequeno grupo de leitores, e a recepção foi muito tocante — alguns relataram uma forte emoção ao final, o que me fez perceber que a narrativa alcança esse lugar mais afetivo.
Talvez o que ele tenha de especial seja justamente isso — a capacidade de tocar camadas mais silenciosas da experiência humana, aquelas que muitas vezes não são ditas, mas são sentidas.

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
Cheguei à Scortecci Editora a partir de experiências anteriores de publicação. Já tive a oportunidade de trabalhar com a editora em outros projetos, o que criou uma relação de confiança e continuidade no meu percurso literário.

Obrigada pela sua participação.
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Eunice Falcão - Autora de: JARDIM DE MARGARIDAS

Nome literário de Eunice Ribeiro de Souza Falcão
É paulistana, nasceu em setembro de 1966 é graduada em Letras e Pedagogia. Atuou como professora por 30 anos para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
É amante da literatura, paixão que despertou ao exercer a profissão trabalhando com variados textos literários.
Sem esquecer sua formação de origem, atualmente se dedica à arte de compor textos criativos.
Embora trace novos caminhos, o ser professora nunca sairá de mim.
Herança! Quem não gostaria de ser contemplado com um bom legado por toda a vida? A reflexão recai sobre benefícios ou infortúnios advindos do espólio. Lina foi uma dessas pessoas agraciadas com uma boa herança. Filha de sitiantes no sertão nordestino na década de 40, no leito de morte do seu padrinho, recebeu dele uma verdadeira fortuna em moedas de ouro e prata. Um patrimônio que moldaria para sempre o seu destino. A menina nunca teve lembranças exatas deste episódio, por ser ainda criança quando tudo aconteceu, mas sabia que herdara algo do padrinho porque sempre ouvia das pessoas da família, em especial das tias: “A herança é de Lina”. Uma história baseada em fatos reais, com questões abertas para livre interpretação do leitor, fatos e acontecimentos nunca devidamente esclarecidos e dados como segredos de família. Uma leitura adulta para despertar análise e avaliação no tocante a valores de caráter.

ENTREVISTA

Olá Eunice. É um prazer contar, novamente, com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
Jardim de margaridas é um romance. A história de uma jovem que migra do sertão nordestino para a cidade grande, São Paulo, nos finais da década de 50. O livro apresenta toda as dificuldades da mulher daquela época em querer se posicionar no meio social, estudar, formar uma profissão, trabalhar.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Eu sempre quis homenagear uma pessoa especial na minha vida, minha mãe. Um dia resolvi apresentar aos leitores a história da mulher nordestina, sonhadora, com muitos ideais e condições para alcançá-los, porém, por ser mulher, não lhe foi dado o direito de escolha, porque, como se dizia naquela época e no meio familiar em que ela vivia, as meninas eram educadas para casar, ser boa esposa e criar os filhos. Uma leitura que pode despertar no leitor adulto senso crítico no tocante a valores de caráter.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Sim, tenho projetos para o mundo das letras. Um dele é produzir textos criativos, que eu gosto muito! Eu já publiquei um romance, uma ficção (UMA JANELA PARA A VIDA), livro de crônicas (MULHERES EM CRÔNICAS), de contos (BEIJO DE MÃE E OUTROS CONTOSe trabalhos literários em revistas e antologias. Quanto aos meus sonhos, estou sempre em busca de idealizá-los, afinal, nada que sonhamos deve ficar na gaveta, devemos, ao menos, tentar realizá-los.

O que te inspira escrever?
Produzir arte é prazeroso, a escrita literária é uma arte. Muita vezes, o que me inspira escrever é a satisfação de ver meu texto pronto, como uma pedra preciosa, que brilha, após várias lapidadas.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Sim, o meu livro e todos os livros do mundo merecem ser lidos, pois toda leitura é válida para algum conhecimento. Digo mais, a leitura de um livro não deve ser para comentários desprezíveis, e sim para melhorá-lo. pois a leitura é um dos melhores hábitos da vida, se não for o melhor.
Jardim de margarida é especial para mim, por ser um livro escrito em memória de minha mãe, uma história baseada em fatos reais com episódios de conflitos por causa de heranças e segredos de família. A história de uma das muitas mulheres presas a convenções e costumes sociais da época.

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
Eu conheci o pessoal da Scortecci Editora na feira literária de Itu – SP. Entrei em contato e pedir orçamento para publicar meu livro. Gostei da proposta apresentada e da atenção que eles dedicaram a mim, uma escritora batalhando para publicar seu primeiro livro, deu certo. Assim foi a parceria.

Obrigada pela sua participação.
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