07 setembro, 2026

Luciano Buzatto (Org.) - Autor e organizador de: ECOS DA ALMA

Luciano Buzatto
é poeta e escritor.




Ecos da Alma - 
a poesia do reencontro
Esta coletânea literária, Ecos da alma: a poesia do reencontro, idealizada por Luciano Buzatto para representar a união de amigos em comemoração aos 40 anos da publicação do livro Há reticências no ar, da Academia Juvenil de Letras e Artes de Jundiaí, reúne escritores que, entre a poesia e a prosa poética, uniam vozes e versos que continuam ecoando. Os textos abordam temáticas como o misticismo e a espiritualidade, o contraste entre o céu e o inferno, reflexões sociais e histórias do cotidiano. Também estão presentes os conflitos existenciais como a dor, a tristeza e as amarguras da vida. Memórias e saudade aparecem em homenagem póstuma à poetisa Graziela Regina Savy e ao pianista Cassiano Alberto Tealdi. Os escritos enfatizam lembranças, afeto, silêncio e saudade de outrora. Muito mais que palavras, Ecos da alma: a poesia do reencontro oferece ao leitor a travessia do tempo, onde a forma de ver, dizer e ler o mundo torna-se mais consciente e reflexiva.

ENTREVISTA

Olá, Luciano. É um prazer contar com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
Ecos da Alma: a poesia do reencontro (contos e poesia) é, antes de tudo, um livro sobre o tempo, a memória, a amizade e a permanência da literatura.
A obra nasceu para celebrar os 40 anos de Há reticências no ar, antologia publicada em 1986 pela Academia Juvenil de Letras e Artes de Jundiaí, reunindo novamente escritores que, naquela época, eram jovens apaixonados pela literatura e pelas artes.
Mas o livro não é apenas uma comemoração. Ele é uma ponte entre passado e presente. É o reencontro de pessoas, de histórias, de sentimentos e, principalmente, de uma parte de nós mesmos que o tempo jamais conseguiu apagar.
Ao longo das páginas aparecem poesia, prosa poética, espiritualidade, misticismo, questões existenciais, dores, saudades, memórias, reflexões sociais e acontecimentos do cotidiano. Há também homenagens à memória de pessoas queridas que já partiram.
Por isso, considero Ecos da Alma muito mais do que uma coletânea. É um testemunho de que algumas amizades e alguns sonhos conseguem atravessar quatro décadas e continuar vivos.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia nasceu de uma pergunta muito simples, mas que carregava uma enorme força emocional: e se nós nos reencontrássemos depois de 40 anos?
Nós havíamos vivido uma experiência muito importante na juventude. Escrevemos, publicamos livros, participamos de encontros culturais, concursos e eventos. Depois, a vida nos levou por caminhos diferentes.
Mas a literatura nunca desapareceu completamente.
Quando percebi que quatro décadas haviam passado desde Há reticências no ar, senti que não poderíamos deixar essa história simplesmente no passado. Era preciso transformar o reencontro em memória escrita.
Assim nasceu Ecos da Alma: a poesia do reencontro.
O livro se destina a todos aqueles que acreditam que o tempo não consegue apagar aquilo que realmente tem significado: amizades, sonhos, sentimentos, experiências e a paixão pela palavra.
É uma obra para quem gosta de poesia, mas também para quem gosta de histórias humanas. Para quem já sentiu saudade. Para quem já reencontrou alguém depois de muitos anos. Para quem guarda dentro de si uma parte da juventude e sabe que algumas lembranças nunca envelhecem.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Eu comecei a escrever muito jovem. A literatura entrou na minha vida ainda na adolescência e, desde então, nunca saiu.
Ao longo dessa trajetória, participei de antologias, concursos literários e projetos culturais. Fui ligado à Academia Juvenil de Letras e Artes de Jundiaí e, posteriormente, participei da criação do Grupo Literário Transporarte. Também tive a oportunidade de coordenar e participar de diversas publicações coletivas.
Portanto, Ecos da Alma não representa o começo da minha história literária. Representa uma nova etapa de uma história que começou há muitas décadas.
E talvez seja justamente por isso que esse livro tenha um significado tão especial para mim.
Ele é, ao mesmo tempo, um sonho realizado e uma porta aberta para novos sonhos.
Não quero que seja o último capítulo. Quero que seja mais um capítulo de uma trajetória que ainda pode produzir encontros, livros, poemas, projetos culturais e, principalmente, novas amizades através da literatura.

O que te inspira escrever?
A dor. As pessoas. Os encontros e desencontros. A passagem do tempo. A saudade. A amizade. A injustiça. A espiritualidade. As contradições humanas. As pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas.
A poesia, para mim, é uma maneira de conversar com a própria alma e, ao mesmo tempo, conversar com o mundo.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Eu diria que Ecos da Alma merece ser lido porque ele não nasceu apenas da vontade de publicar um livro. Ele nasceu de uma história verdadeira.
São 40 anos separando duas obras e, ao mesmo tempo, aproximando novamente pessoas que um dia compartilharam os mesmos sonhos literários.
O que considero especial é justamente essa dimensão humana.
O leitor encontrará contos e poesia, mas encontrará também memória. Encontrará palavras, mas encontrará sentimentos. Encontrará escritores, mas encontrará pessoas.
É um livro que fala sobre o passado sem ficar preso a ele.
Porque, quando reencontramos alguém depois de 40 anos, não reencontramos apenas aquela pessoa. Reencontramos também quem nós éramos.
E talvez esse seja o maior encanto de Ecos da Alma: ele convida o leitor a fazer o próprio reencontro com suas lembranças, com suas saudades, com seus sonhos.
E, quem sabe, com uma parte de si mesmo que o tempo deixou adormecida.

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
A Scortecci não era uma editora desconhecida para mim.
Minha relação com a editora vem de muito antes de Ecos da Alma. Alguns dos projetos literários dos quais participei ao longo da minha trajetória também passaram pela Scortecci, inclusive publicações ligadas à nossa história literária em Jundiaí.
Por isso, quando surgiu a ideia de transformar o reencontro de 40 anos em um novo livro, a Scortecci naturalmente apareceu como uma referência.
Foi uma escolha que também carregava um certo simbolismo: voltar a uma editora que já fazia parte da nossa trajetória literária e, décadas depois, colocar novamente nas mãos dela uma história construída por aqueles mesmos vínculos com a literatura.
De certa maneira, foi como fechar um círculo.
Em 1986, éramos jovens escritores começando a construir nossa história.
Em 2026, voltamos à literatura trazendo conosco quatro décadas de vida, experiências, perdas, conquistas, lembranças e, principalmente, a amizade.
E foi assim que Ecos da Alma: a poesia do reencontro ganhou forma.

Obrigado pela sua participação.

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