31 março, 2026

Rodolfo Coelho - Autor de: O DIÁRIO DE UM CHATO (Edição Póstuma)

Rodolfo Coelho                                            
Ana Amelia Coelho 
Nasceu em 1950 em Minas Novas (MG). Em 1963 mudou-se para São Paulo, cidade onde viveu até seu falecimento em 2021. Formou-se em Pedagogia pela USP, especializou-se na área de Recursos Humanos. Foi funcionário público até se aposentar. Casou-se com Sonia Regina, teve duas filhas e um filho: Ana Amelia, Gabriela e Renato. A mineirice sempre foi um ponto forte da personalidade de Rodolfo. Percorria as ruas de São Paulo com seu olhar estrangeiro. Participava de saraus, concursos literários, clubes de leitura. Tinha sempre por perto canetas e blocos de anotação.


O Diário de um Chato - Poemas Reunidos
Rodolfo escrevia incansavelmente. Escrever, criar pequenas narrativas e poemas era o remédio ideal contra o tédio, a chatice, a pasmaceira. Entre uma piada e outra, ele ironizava:
— Se Paulo Coelho fez sucesso com O diário de um mago, Rodolfo Coelho vai publicar O diário de um chato. Esse vai ser o título do meu sétimo livro.
Quem estava por perto vez ou outra ouvia falar da próxima publicação, que acabou ficando sempre para depois — até agora. Eis aqui o tão falado sétimo livro: uma reunião de escritos de seus cadernos e blocos de notas, textos produzidos entre 2005 e 2013, a maior parte deles completamente inéditos. Alguns deles foram publicados num blog coletivo e recitados em saraus. Rodolfo gostava de citar Maiakóvski: “a poesia — toda — é uma viagem ao desconhecido”. Assim, convidamos leitoras e leitores a embarcar nessa viagem e a descobrir que, por trás da ironia do “diário de um chato”, há um observador sensível do cotidiano, alguém que transformava o tédio em poesia. - Ana Amelia Coelho

ENTREVISTA

Olá Ana Amellia.

Do que trata o seu Livro?
O livro é uma coletânea de escritos de meu pai, produzidos entre 2005 e 2013: poemas, crônicas e resenhas de filmes. Esses textos foram preservados em cadernos ou arquivos de Word, alguns chegaram ao público por meio de blogs. Uma obra que resistiu ao tempo à espera do momento certo para ganhar o mundo.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Desde o falecimento de meu pai, em dezembro de 2021, cultivei o desejo de realizar uma publicação póstuma. O projeto, no entanto, já vinha sendo gestado muito antes. Desde o lançamento de Rua Augusta com Creme, em 2004 — seu sexto livro —, meu pai planejava o sétimo. O próprio prefácio daquela obra já anunciava o título O diário de um chato.
A construção do livro foi também um ato coletivo de amor e memória: contei com a ajuda de meu irmão na seleção dos textos dos cadernos; familiares e amigos contribuíram com escritos de lembranças, que integram o posfácio da obra.
O livro se destina a um público adulto com interesse em poesia livre, de inspiração cotidiana — leitores que encontram beleza e humor nas pequenas coisas da vida.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Tanto meu pai quanto eu somos apaixonados por literatura e artes.
Paralelamente a este lançamento, estou publicando meu primeiro livro autoral, Nodo-kara te-ga deru, uma reunião de histórias curtas. Também participo de antologias, oficinas de escrita e clubes de leitura. Este livro é, ao mesmo tempo, um sonho realizado e o início de um caminho.

O que te inspira escrever?
As pessoas, o cotidiano, as emoções e o acaso. A sensação de criar mundos a partir da escrita me inspira.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Todo livro merece ser lido — e O diário de um chato tem algo muito cativante: o olhar aguçado de um homem que percorre as ruas de São Paulo em busca de quebrar o tédio e encontrar a si mesmo. Meu pai tinha o dom de descobrir graça na pasmaceira do cotidiano, de transformar o ordinário em algo que nos faz sorrir, refletir e reconhecer a nós mesmos nas páginas.
 
Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
Meu pai publicou seu primeiro livro, Ignição, pela Scortecci em 1997. A editora acompanhou toda a sua trajetória literária. Eu mesma fui estagiária da Scortecci na área de revisão, durante minha graduação em Letras. Para mim, era mais do que uma escolha: era uma necessidade afetiva publicar O diário de um chato pela editora que guardou, ao longo de tantos anos, a voz literária do meu pai.

Obrigada pela sua participação.

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