19 agosto, 2026

Márcio Vidal Marinho - Autor de: ACABOU A POESIA DO MUNDO

Márcio Vidal Marinho
Há alguns anos se multiplicam os movimentos culturais nas periferias das grandes cidades, como por exemplo, o Sarau da COOPERIFA (Cooperação Cultural da Periferia), um dos maiores expoentes em São Paulo. Semanalmente, artistas que têm em comum o aspecto periférico, na geografia estética ou temática se encontravam para valorizar a cultura brasileira. É nesse meio que surge Marcio Vidal Marinho, nascido e criado em uma das periferias mais famosas pela miséria e violência, Jd.
Ângela, mas que a despeito de tudo afirma a importância da literatura para se fortalecer nas lutas diárias; formou- se Mestre em Letras pela Universidade de São Paulo - USP, atualmente é Doutorando em Geografia Humana pela mesma universidade.
Autor dos livros: Posso Escrever Os Versos Mais Lindos Esta Noite (2019), 21 GRAMAS (2016), A Vida Em Três Tempos (2013) e Receitas Para Amar No Século XXI (2010).
Realiza palestras em eventos, escolas e universidades apresentando seu trabalho como poeta, seus estudos e reflexões a respeito da Literatura Periférica, Racionais MC's, periferia e direito à cidade.

Acabou a Poesia do Mundo - Levaram, Ao Anoitecer, o que Restava do Amor
"Acabou a poesia do mundo: Levaram, ao anoitecer, o que restava do amor" é um conjunto de poemas que aborda temas como o amor e a conquista sob uma perspectiva emocional, crítica e existencial, num diálogo aberto sobre o amor vivido em sua máxima potência. O livro se propõe a ser um porta voz dos sentimentos, falar aquilo que as pessoas gostariam de dizer à sua companheira ou companheiro, mas não sabem como; aproximar casais, aprofundar o amor nas relações. A linguagem é de uma poética acessível, com uma intensidade emocional universal que faz com que as pessoas sintam o desejo exposto nos versos, o tom é intimista oferecendo momentos românticos às pessoas que vivem uma realidade endurecida e sem tempo para ser romântico.

ENTREVISTA

Olá Márcio.  É um prazer contar com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
O livro trata de amor, amor ao próximo, ao amigo, ao filho, à esposa, ao namorado. Ele busca devolver a beleza de admirar alguém, de contemplar os detalhes. De questionar de onde vem e para onde vai o amor.
São versos livres e prontos para trazer suspiros e às vezes nos fazer engolir a seco as palavras, de modo que nem tudo são flores, mas a gente precisa aprender a conviver com as diferenças e buscar uma vida de amor e harmonia.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Esse é meu 5º livro e a ideia de explorar dessa forma o amor foi do Edi Rock, dos Racionais MC's. Um dos maiores ícones da música, sobretudo no que diz respeito à luta antirracista, de questionamento social, de colocar o dedo nas feridas sociais e de dar voz às periferias.
Temos uma parceria de quase 20 anos de palestras em escolas e ele sempre me falou para investir na questão do amor porque falar disso é uma missão muito difícil e para poucos, mas que via que eu tinha essa condição de realizar.
Com isso, passei a buscar ainda mais olhar para os sentimentos que as pessoas querem dizer, mas não encontram as palavras para falar.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Minha carreira literária começa em 2004 junto ao sarau da Cooperifa (Cooperação Cultural da Periferia), fundado pelo Marco Pezão e pelo poeta Sérgio Vaz. Em 2010 publico meu primeiro livro, "Receitas Para Amar no Século XXI"; depois em 2013, "A Vida Em Três Tempos"; em 2016, 21 Gramas, que recebeu Menção Honrosa no 23º Programa Nascente da Universidade de São Paulo - USP, que teve o prefácio escrito pelo poeta Sérgio Vaz e orelha feita pela imortal Heloisa Buarque de Holanda; em 2019, o livro Posso Escrever os Versos Mais Lindos Essa Noite, que parafraseia o poeta Pablo Neruda e tem o prefácio escrito pela atriz e cantora Mariana de Moraes, neta do poeta Vinícius de Moraes.
Desde minha primeira publicação, esse foi o maior espaço de tempo que fiquei sem publicar, então decidi que era hora de trazer o amor ao cotidiano novamente.

O que te inspira escrever?
As relações amorosas, com toda certeza. Penso que quanto mais as pessoas amam, mais gentil elas buscam ser. O mundo precisa dessa gentileza dos amantes.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Às vezes, tenho a impressão de que o mundo está endurecido. As pessoas estão cada vez mais sem paciência. O livro vem para reapresentar a beleza do simples.
Leia e vai querer amar!

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
Desde meu segundo livro eu publiquei pela editora Ibis Libris cuja proprietária Thereza Motta faleceu, em 2026. Com isso, a Ibis Libris me apresentou ao João Scortecci, que com toda gentileza acolheu meu livro até chegarmos a esse momento lindo do lançamento.

Obrigado pela sua participação.

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