terça-feira, 1 de março de 2022

Entrevista com Aline Monteiro - Autora de: PEIXE-POEMA

Nasceu em 16 de setembro de 1985 em Macapá. É graduada em Letras/Francês pela UNIFAP, onde também é mestranda em Letras. Além de poeta, é professora na rede pública estadual. Com o blog Outros Carnavais manteve uma produção de poemas inéditos de 2008 a 2013. Em 2019, criou um novo espaço para as produções mais recentes o blog Viva Voz (https://umvivavoz.blogspot.com/). Participou de coletâneas literárias como Poesia.com e Poesia na Boca da Noite. Peixe-poema é seu livro de estreia.


Uma poética das marés
A superfície de uma escrita cuja história e presente são banhados com a água dos rios da Amazônia pode nos parecer doce e tranquila em um primeiro olhar, mas a verdade é que quando mergulhamos para além desse espelho d´água nos vemos diante de uma linguagem em conflito, à procura de uma poesia libertadora em múltiplos sentidos.
Em Peixe-poema, Aline Monteiro nos leva a um mergulho nas subjetividades de uma poesia e seu lugar, seus atravessamentos e ancestralidades, a procura do amor em sua potência e delicadezas.


Entrevista

Olá Aline. É um prazer contar a sua participação na Revista do Livro da Scortecci

Do que trata o seu Livro?
Peixe-poema é sobre muitas coisas porque é sobre uma poética vinda das marés e seus atravessamentos, é metalinguagem que procura não uma definição mas uma reinvenção da língua através do passado e do presente de pessoas historicamente silenciadas, Peixe-poema é sobretudo uma desconstrução de estereótipos que nos transfiguram até os dias de hoje.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
A ideia do livro nasceu a partir de um poema do escritor amapaense Pedro Stkls chamado “peixe-poema-peixe” que traz uma metáfora muito rica do poema enquanto o peixe que nos alimenta a alma e que ao mesmo tempo reflete nosso modo de existir no mundo, resgatando muitas memórias afetivas e vivências, e que finaliza dizendo “eis um poema-peixe no prato/eis uma poesia e o seu lugar” ... Esses versos me fizeram questionar qual seria o lugar de uma poesia que vem do norte, feita por pessoas quase invisíveis aos olhos do restante do país, mas que é ao mesmo tempo muito plural e potente... O que também me ajudou na construção do livro foi exatamente pensar em um público específico, queria que minha escrita dialogasse com o norte do país e suas subjetividades, por isso o livro traz histórias e personagens, mas o que não significa que outras pessoas de outras regiões não possam ler Peixe-poema, muito pelo contrário, que possam ler e ir além do superficial.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Sou professora de língua francesa na rede estadual, me graduei no curso de letras/francês pela UNIFAP, sou especialista em metodologia de ensino de língua e literatura estrangeira pela UEAP e atualmente mestranda em letras na linha de literatura, cultura e memória também pela UNIFAP. Comecei a escrever poesia ainda na infância, mas só comecei a publicar poemas no meu blog chamado Outros Carnavais em 2008, que ficou ativo até o ano de 2012, em 2019 criei um outro espaço para a publicação de poemas mais recentes, o blog Viva-voz, participei de algumas publicações de coletâneas de poemas (Como Poesia.com e Poesia na boca da noite) e também de movimentos de poesia ocorridos em Macapá como o Poesia na boca da noite e Poema de Quinta.
A poesia é meu lar, então, penso meus projetos literários enquanto uma necessidade, como uma forma de estar no mundo e enxergá-lo, tem muita coisa que pretendo escrever e que não coube em Peixe-poema, ainda tenho muito o que dizer.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Penso que o escritor do Brasil está sujeito ao mercado como qualquer outro escritor em outros países, guardadas as suas especificidades e são justamente essas especificidades que fazem do Brasil ter esse estigma que a leitura não é valorizada, e isso ocorre em virtude do acesso bastante limitado para a maior parte da população, uma das nossas maiores escritoras contemporâneas que é a Conceição Evaristo não teve acesso a livros ou bibliotecas na sua infância não por falta de interesse mas porque estava fora do seu alcance. E como diz Octávio Paz a arte emana da linguagem social, independentemente dos entraves ela vai encontrar um jeito de acontecer.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Através de um amigo também escritor que publicou um livro de poesia na Scortecci.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Eu penso que ele precisa ser lido para causar provocações, questionamentos e até um certo incômodo, porque eu acredito que a poesia precisa disso, provocar diálogos com outras regiões do país, outras culturas outros pensamentos.
Aos meus leitores, deixo o convite a conhecer através de Peixe-poema um pouco sobre a minha maneira de enxergar o lugar que eu vivo que é o Amapá e as suas relações com o resto do mundo.

Obrigado pela sua participação.

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