24 agosto, 2026

Luisa Santos Wholley - Autora de: SOL E SOMBRA: AUTISMO DE MÃE PARA FILHO

Luisa Santos Wholley
Escreveu seu primeiro poema aos doze anos e nunca mais deixou de tricotar letras. Além de escritora de prosa e verso, é tradutora e professora de inglês há décadas, tendo trabalhado com empresas e com alunos adultos do Brasil e da América Latina.
Natural do Rio de Janeiro, ela obteve o Bacharelado em Comunicação Social pela PUC-RJ.
Com exceção de trabalhos acadêmicos e poemas publicados, este é seu primeiro passo mais concreto no mundo editorial. Ela morou nos EUA por dezoito anos e fez cursos livres de literatura, mitologia e poesia por lá.
Um deles sobre a vida de Shakespeare, no programa de ensino à distância da Universidade de Harvard. Ela também é fotógrafa com certificação do New York Institute of Photography, pois queria aprender uma nova arte e uma forma de expressão visual, além das palavras.
Luisa é mãe coruja, leoa e muitos outros bichos, e é casada com o estrangeiro mais carioca do mundo.
Caseira, ela degusta achocolatado no canudo vendo o mar nos dias de sol. Nas noites de sombra, admira a lua, as estrelinhas e as entrelinhas.

Sol e Sombra: Autismo de Mãe Para Filho

Como o transtorno do espectro do autismo atravessa as décadas numa mesma família? A história se repete, se transforma ou se inspira? Quando o autismo acontece no lar nosso de cada dia, ele pode ser um capítulo inédito ou uma revisita. Em Sol e sombra — Autismo de mãe para filho, Marina e Lucas são semelhantes pelas diferenças. A infância sem rótulo científico da mãe se entrelaça com o diagnóstico precoce do filho. Seria ela autista também? O caminho deles é uma melodia tocada a quatro mãos no piano do tempo. Ainda que sejam pessoas distintas em épocas diferentes, há interseções significativas. Embora o autismo seja o tecido da narrativa, este livro é uma biografia. Vida real de desafios e sucessos. Não é um guia, modelo, manual de ajuda ou estudo científico sobre o tema. É só uma expressão de afeto profundo. Qualquer pessoa pode se identificar e se emocionar com as situações e sentimentos porque a narrativa tem relatos, tem humor, tem poesia, tem muito amor. A leitura nos convida a embarcar numa jornada de dualidades humanas: mestre e aprendiz que se revezam, luta e descanso, perdas e conquistas, infância e maturidade, luz e escuridão. E encoraja a reflexão sobre como fazer a diferença — abrindo mais espaço para quem precisa de ações verdadeiramente inclusivas. Todos ocupando seu lugar ao sol e à sombra.

ENTREVISTA

Olá Luisa.  É um prazer contar com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.

Do que trata o seu Livro?
É uma dupla biografia, cujo fio condutor é o autismo: a minha infância desafiadora e a do meu filho, diagnosticado no espectro autista aos 22 meses de idade. Atravessa gerações e décadas diferentes. Apenas mudei os nomes e, talvez, a ordem de um ou outro pequeno detalhe histórico, mas diria que é 99% real.

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Sempre quis contar minhas vivências. Tentei outras abordagens, mas nada parecia certo. Quando meu filho se tornou adulto, ele fez uma nova avaliação neurológica para se entender melhor — compreender o que o autismo significava para ele, e não o que a mãe relatava da sua infância. Isso foi muito importante e me inspirou. Eu o consultei sobre contar nossas experiências, pois jamais escreveria sem o aval e apoio dele. Ele abraçou a ideia e, na verdade, se animou com ela. Foi o primeiro leitor emocionado. Sem dar spoiler, um fato no final da história explica muito o porquê da necessidade das duas biografias e da existência desse livro.
Embora qualquer pessoa possa retirar sentimentos e pensamentos da leitura do livro, ele é especialmente importante para quem tem o autismo em sua vida de alguma forma. Não é um manual de informações, livro referencial ou fonte de conselhos; não sou uma profissional da área. É apenas a nossa vivência pessoal, pois cada pessoa autista é diferente e única. Porém, o leitor pode se identificar com algum sentimento ou situação. Ou apenas saber que outras pessoas estão navegando o espectro e, como eles, cruzando seus próprios mares.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Quem sabe ambos? O tempo dirá, mas um novo livro sempre será uma opção. Escrevi minha primeira poesia aos doze anos e nunca parei de tricotar letras. Lancei sozinha um pequeno livro de poesias em inglês quando morava nos EUA, e amo escrever em prosa e verso. Talvez um livro de contos com assuntos e situações que não entraram nesse livro — ou novas vivências — esteja no meu futuro. Tomara!

O que te inspira escrever?
Sentimentos. Quando escrevi aquele primeiro poema na infância, meu pai leu. Ele conhecia o Fernando Sabino, pois tinham o amor ao jazz em comum. O feedback que recebi foi: “Viva e escreva. Tenha experiências e fale sobre elas." Foi o que fiz; segui essa estrada realista.
Eu não consigo dissociar meus textos das experiências reais. Mesmo usando a fantasia e a criatividade, a base deve ser algo real, palpável. Mesmo que sejam realidades de outras pessoas ao meu redor, e não minhas próprias vivências. O importante é o sentir.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Penso que todo livro merece ser lido pelo leitor certo. Acredito muito que a verdade e a emoção que o meu livro traduz devem tocar muitas pessoas. Não é a história científica geral do autismo nem sugere generalizações ou conselhos, mas é o relato de pessoas específicas lidando com suas vidas, nas quais seu autismo próprio e particular tem grande participação. A obra tem a proposta de fazer os leitores ponderarem, aprofundarem suas noções e refletirem sobre como ajudar esse mundo a ser mais inclusivo e empático. Elas podem sentir a nossa trajetória, que é só nossa, mas traz relatos humanos, erros, dor, humor e, principalmente, muito amor. É aí que o livro se universaliza.

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
Foi mais um caminho desafiador. Sou do Rio de Janeiro e estava trabalhando com a querida, saudosa e excelente profissional Thereza Christina Rocque da Motta, da Ibis Libris, e agradeço muito a ela pelo incentivo, pelas revisões, pelas boas conversas sobre o livro e a vida literária em geral. Infelizmente, ela não teve tempo de levar o trabalho até o final, e seu filho gentilmente me indicou a Scortecci para passar o bastão e prosseguir com a confecção da obra. Agradeço muito a todos pela acolhida e sinto que sempre estive em boas mãos.

Obrigada pela sua participação.

Um comentário:

  1. Obrigada pela entrevista e pela oportunidade de divulgar minha história!

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