29 agosto, 2026

Leo Sousa - Autora de: UMA ESCOLA PARA TODOS

Léo Sousa
Nascida em São Paulo, filha de Manuel e Antonia. Moradora da cidade de Mairiporã, é formada em Educação Física e Pedagogia, pós-graduação em Arte, Educação e Terapia, Docência do Ensino superior e Educação, Alfabetização e Educação Inclusiva pela UNESP.
EM 2003, teve seu primeiro contato com o construtivismo e, desde então aprofundou seus conhecimentos nessa proposta educacional, acreditando em uma aprendizagem mais humana, significativa e acolhedora.
Atualmente é mantenedora da Escola Pitoquinho e do Colégio Plenitude do Saber.
Também atuou como colaboradora do Estado de São Paulo por 38 anos, dedicando sua trajetória à transformação da educação e ao desenvolvimento da criança.
É autora dos livros O voo da liberdade, O galinheiro do vovô Mané - para maioresO galinheiro do vovô Mané - para menores. Agora apresenta Uma escola para todos, obra que traz como essência o respeito as diferenças, pertencimento, o acolhimento e o direito de cada criança sentir-se parte da escola.
 Acredita em dias melhores, em escolas melhores, em professores que fazem a diferença na vida de seus estudantes. Para ela, toda criança merece encontrar seu lugar no chão da escola.

Uma Escola Para Todos
Ilustrações: Victória Sousa
O livro Uma Escola para Todos conta a emocionante história de Dandara, uma menina que sonha em encontrar um lugar onde cada criança seja acolhida, ouvida, respeitada e valorizada exatamente como é. Ao descobrir uma escola em que as diferenças são celebradas e todos aprendem juntos, ela percebe que a verdadeira educação acontece quando há afeto, empatia, amizade e pertencimento. Apresenta uma narrativa sensível e inspiradora, o livro convida a todos, crianças, famílias e educadores a refletirem sobre inclusão, respeito às diferenças e o poder transformador de uma escola que abre espaço para todos. Uma história que mostra que, quando cada criança encontra seu lugar, todos aprendem, todos crescem e todos florescem. Dandara pode ser você, pode ter sido você em algum momento de sua vida… por isso precisamos refletir sobre nossas atitudes e nosso olhar em relação ao outro.

ENTREVISTA

Olá Leonilda.  É um prazer contar, novamente, com a sua participação na Revista do Livro da Scortecci.


Do que trata o seu Livro?
O livro UMA ESCOLA PARA TODOS não fala apenas sobre respeitar as diferenças dentro da escola, mas sobre aprender a olhar o outro com humanidade em todos os lugares da vida.
É sobre compreender que ninguém precisa ser igual para pertencer. Que as diferenças não nos afastam, elas podem nos ensinar, ampliar nosso olhar e nos tornar pessoas melhores.
Que a escola seja um veículo transformador, reflexivo e que começamos a aprender isso, mas que deve ultrapassar os muros da escola, nas famílias, nas amizades, no trabalho, na sociedade, nas relações que construímos ao longo da vida.
UMA ESCOLA PARA TODOS É MUITO MAIS QUE A ESCOLA QUE ACOLHE, É A ESCOLA QUE ENSINA A PERTENCER COMPARTILHAR E ENXERGAR O OUTRO COM HUMANIDADE.
É olhar para dentro de si e ver que em algum momento de sua vida você se sentiu como a DANDARA...

Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Esse livro nasceu muito antes de eu colocá-lo no papel. Ele nasceu das experiências que vivi ao longo da minha caminhada na educação, das crianças que conheci, das histórias que ouvi e, principalmente, dos muitos encontros que me ensinaram que cada pessoa tem uma forma única de estar no mundo.
Depois de tantos anos dentro da escola, percebi que falar de inclusão não poderia ser apenas falar sobre deficiência ou sobre respeitar as diferenças. Inclusão, para mim, é muito maior. É olhar para o outro e reconhecer que ele tem o mesmo direito de pertencer, de sonhar, de aprender, de ser respeitado e de ocupar o seu lugar no mundo.
Foi desse desejo que nasceu Uma Escola para Todos: da vontade de provocar um olhar mais sensível sobre as diferenças e lembrar que a escola pode ser o começo de uma transformação que ultrapassa os muros da escola e acompanha cada pessoa por toda a vida.
E para quem é essa obra?
É um livro infanto juvenil, mas com certeza farão muitos adultos a refletirem sobre como olhar o outro.
É um livro para educadores, famílias, estudantes e para qualquer pessoa que acredita que podemos construir relações mais humanas.
Mas, acima de tudo, é um livro para a vida.
Porque aprender a respeitar as diferenças na escola é importante. Mas aprender a respeitar, acolher e valorizar o outro na vida é essencial.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. O primeiro de muitos ou um sonho realizado?
Sou uma educadora que acredita profundamente na força das palavras, dos encontros e das histórias que carregamos. Minha trajetória sempre esteve ligada à educação e ao desejo de transformar, de alguma maneira, a vida das pessoas que passam pelo meu caminho.
Escrever sempre esteve presente em mim, mas transformar aquilo que acredito em livros foi um passo que aconteceu aos poucos. Uma Escola para Todos é, sem dúvida, um sonho realizado, mas não quero que seja um ponto de chegada. Quero que seja o começo de uma nova caminhada.
Já escrevi O Voo da Liberdade e O Galinheiro do Vovô Mané, e tenho outros projetos que ainda quero tirar do papel. Cada livro nasce de uma inquietação, de uma memória, de uma experiência ou de uma pergunta que insiste em permanecer dentro de mim.
Acredito que escrever é também uma forma de deixar sementes.
Talvez seja esse o meu maior desejo no mundo das letras: escrever histórias que possam tocar alguém, provocar uma reflexão, despertar uma lembrança ou simplesmente fazer uma pessoa olhar para a vida de um jeito diferente.
Então, sim, Uma Escola para Todos é mais um sonho realizado.
Mas, no meu coração, é também o primeiro capítulo de muitos outros que ainda quero escrever.

O que te inspira escrever?
A vida.
Sou muito observadora e assuntos que mexem comigo viram histórias então, as pessoas que encontro, as crianças que me ensinam todos os dias, as histórias que escuto, as memórias que carrego e até aquilo que me inquieta.
Acredito que a educação é uma fonte inesgotável de inspiração, de possibilidades. A fala de uma criança, um comportamento, um olhar, uma descoberta, uma dificuldade superada ou uma situação vivida na escola muitas vezes despertam em mim uma vontade enorme de transformar aquilo em palavras.
Também me inspiram a natureza, as memórias da minha infância, minha família e as pequenas coisas que, muitas vezes, passam despercebidas, mas carregam grandes significados.
Eu escrevo porque acredito que algumas experiências não cabem apenas na memória, precisam ganhar palavras para continuar vivendo.
E talvez seja isso que mais me encanta na escrita: poder transformar aquilo que vivi em uma pequena semente que pode florescer dentro de outra pessoa e mudar sua maneira de olhar o mundo e a si mesmo.

O seu livro merece ser lido? O que ele tem de especial capaz de encantar leitores?
Com certeza! Não porque seja um livro que tenha todas as respostas, mas porque é um livro que faz perguntas.
Uma Escola para Todos convida o leitor a olhar para as diferenças de uma maneira mais humana e sensível. Fala de inclusão, mas não apenas da inclusão dentro da escola. Fala sobre pertencimento, respeito, empatia e sobre a nossa responsabilidade na construção de um mundo onde todos possam encontrar o seu lugar.
Acredito que o que pode encantar o leitor é justamente essa possibilidade de se reconhecer nas histórias e nas reflexões do livro. Em algum momento, talvez ele se lembre de alguém que conheceu, de uma situação que viveu ou até de uma vez em que precisou aprender a olhar para o outro de uma maneira diferente, fazendo um julgamento.
Não escrevi para ensinar alguém a ser perfeito. Escrevi para lembrar que todos nós estamos aprendendo a conviver, a acolher e a enxergar além daquilo que os olhos conseguem ver.
Se, ao fechar o livro, alguém sair com um olhar um pouco mais sensível para o outro, então ele já terá cumprido seu propósito.
Porque uma escola para todos começa, antes de tudo, dentro de cada um de nós.

Como ficou sabendo e chegou até a Scortecci?
A chegada à Scortecci aconteceu de uma maneira muito especial. Eu já tinha o desejo de transformar meus escritos em livros e, durante essa caminhada, conheci o trabalho da editora e percebi que havia ali uma sintonia muito grande com aquilo que eu queria construir.
Na busca de um local para poder realizar meu sonho em 2015 minha primeira publicação O voo da liberdade, depois em 2018 com O galinheiro do Vovô Mané, participei também de Impressões literárias com duas poesias e agora em 2026 nasce uma escola para todos.
A Scortecci me acolheu não apenas como autora, mas também como alguém que tinha uma história para contar. E esse encontro foi muito importante para que meus projetos saíssem do papel e ganhassem vida.
Quando entrei nesse universo, descobri que publicar um livro vai muito além de escrever. É confiar uma parte daquilo que somos a outras pessoas e permitir que uma história que nasceu dentro da gente ganhe novos leitores, novos olhares e novos significados.
Hoje, olhar para esse caminho e ver meus livros tomando forma é uma alegria imensa. É a sensação bonita de perceber que uma ideia que um dia existia apenas dentro de mim agora pode caminhar pelo mundo.
E acredito que é um trabalho de parceria que seguiremos por muitos anos.

Obrigada pela sua participação.

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